segunda-feira, 5 de agosto de 2019

05 de agosto: Dia de SANTO OSVALDO da NORTÚMBRIA, também conhecido como Osvaldo de Bernícia,

05 de agosto: celebramos hoje a festa litúrgica de SANTO OSVALDO da NORTÚMBRIA, também conhecido como Osvaldo de Bernícia, que no século VII foi um rei católico que findou seus dias quando era ainda bastante jovem, derramando seu sangue em defesa da fé...

A Nortúmbria era um antigo reino que abrangia quase a totalidade daquela que hoje conhecemos como Inglaterra, sendo a junção de dois reinos independentes: o da Bernícia, ao norte, e o de Deira, ao sul. Foi no norte, em torno do ano 604 da Era Cristã, que nasceu Osvaldo, filho do rei pagão Etelfrido de Bernícia (+616) e de Acha, princesa de Deira. Como as demais terras da atual Inglaterra encontravam-se divididas entre reinos menores, as Casas, ou “famílias reais”, guerreavam muito entre si, consumidas pelo desejo de poder e de riquezas, promovendo o medo e a morte, mais ou menos como podemos ver na famosa série fictícia “Game of Thrones”, do canal HBO.

Assim, no ano 616, o reino unificado da Nortúmbria (Bernícia e Deira), foi invadido por Edwin, irmão da princesa Acha, mãe de Osvaldo. Edwin assassinou Etelfrido em batalha, forçando Acha a refugiar-se com seus 11 filhos no reino da Escócia, pois temia o ódio do próprio irmão, que poderia matar todos os seus filhos para que no futuro eles não vingassem a morte do pai e não reclamassem o direito ao trono... Na Escócia, Acha e os filhos conheceram a fé cristã, converteram-se e foram todos batizados, sendo que as crianças foram entregues aos cuidados dos monges beneditinos do renomado mosteiro de Iona, fundado em 563 por São Columbano.

Já adolescente naquele tempo, Osvaldo era muito admirado por sua inteligência, por seu sorriso e por sua bela aparência, além de ser considerado justo e caridoso, não fazendo distinção no tratamento das pessoas. Ademais, por onde ia não podia deixar de chamar a atenção, uma vez que sobre os ombros levava sempre seu animal de estimação, um falcão que havia adestrado e lhe obedecia todos os comandos... Sua inteligência, Osvaldo havia aplicado naquilo que seria natural: no conhecimento das estratégias militares, a fim de que, um dia, quando Deus lhe desse um sinal divino de aprovação, ele pudesse destronar seu tio usurpador e ser coroado como rei legítimo da Nortúmbria, estabelecendo um reino de justiça e de paz sob a Cruz de Cristo... Este sinal divino ele obteve no ano 633, quando era já adulto: por meio de uma visão, São Columbano lhe disse que era a hora de ocupar seu lugar de direito, pois Edwin havia morrido e seu poderoso exército encontrava-se bastante fraco; porém, antes de guerrear contra as tropas do tio falecido, devia orar e instruir seus soldados na fé cristã, pois como estavam em muito menor número, somente poderiam vencer com Cristo à sua frente.

Assim Osvaldo fez, mandando erguer no campo de treinamento uma grande Cruz, diante da qual colocou-se de joelhos e pediu que seus soldados fizessem o mesmo, jurando fazerem-se batizar logo que vencessem a batalha. Todos seguiram o exemplo de Osvaldo e partiram para a guerra, ocorrida em 634, em Havenfield, a qual venceram. O trono usurpado por 17 anos por Edwin foi enfim reconquistado por seu legítimo sucessor, que mandou chamar à Nortúmbria os monges beneditinos de Iona, a fim de que estes pregassem o Evangelho ao reino e a todos batizasse na fé cristã. Osvaldo pessoalmente se encarregou de traduzir as pregações dos monges – que, obviamente, não falavam a mesma língua do povo –, e todo o reino converteu-se a Cristo. Pouco tempo após sua coroação, Osvaldo se casou com Cineburga, princesa do reino de Wessex (hoje também parte da Inglaterra), que era pagã e à qual converteu. E não somente à esposa: ele também conseguiu permissão do pai dela para que os monges evangelizassem Wessex, promovendo a conversão também deste reino e do próprio sogro.

Por toda a extensão de seus domínios, Osvaldo mandou construir inúmeras igrejas e mosteiros, asilos e creches para atender os mais pobres, hospitais e cemitérios, já que o costume na época era a cremação dos mortos, prática condenada pela Igreja na época. De sua parte, Osvaldo brilhava por sua humildade, por seu profundo conhecimento da Doutrina Crsitã e das Escrituras, por sua justiça e por sua caridade, promovendo a paz e a prosperidade a todos em seu reino. O povo tinha verdadeira veneração por ele, considerando-o “santo” ainda em vida... Apesar de poder ser considerado o homem mais poderoso de seu tempo, Osvaldo jamais permitiu que o poder lhe subisse à cabeça, pois sabia que ele dependia da fidelidade a Cristo, o verdadeiro e único Rei de toda a criação...

O próspero reino cristão da Nortúmbria, entretanto, tinha seus inimigos, sobretudo os povos pagãos que consideravam absurda aquela fé estabelecida por Osvaldo e seus monges. Deste modo, após oito anos de paz, Penda (+655), rei pagão de Mércia, colocou em marcha seu exército a fim de matar Osvaldo e destruir a nova fé dos nortúmbrios. Era o dia 05 de agosto de 642, quando Osvaldo tombou em campo de batalha, sendo assassinado não por uma razão banal, não por razões políticas nem pela mera ambição do poder, mas pela defesa do Evangelho, sob o qual havia edificado seu reino. Penda de Mércia conseguiu matar o rei católico, porém, a fé resistiu às suas investidas, apesar das ameaças, dos saques das igrejas e dos mosteiros e das incontáveis vidas que foram ceifadas por este sanguinário usurpador e inimigo da religião.

Osvaldo havia recebido aquela “coroa da justiça” de que fala o santo apóstolo (cf. 2Tm 4,8), após ter combatido o bom combate e ter guardado incorruptível sua fé. A Igreja não tardou em oficializar a fé do povo, inscrevendo o nome de Osvaldo da Nortúmbria no rol dos seus santos e santas. São Beda o Venerável (+735), monge beneditino e Doutor da Igreja, defendeu a tese de que Osvaldo devia ser considerado não apenas “santo”, mas também, e incontestavelmente, verdadeiro mártir da fé, pois foi em defesa dela que ele havia tombado na batalha de Maserfield.

Digno de nota: como Deus é providente em tudo o que faz, Edwin de Deira, que havia assassinado o cunhado e usurpado o trono da Nortúmbria, converteu-se à religião no ano 627, fez-se batizar e reinou com equidade e justiça nos últimos cinco anos de sua vida, justificando a fama de santidade que lhe tributou o povo. A festa litúrgica em honra de Santo Edwin (ou "Eduíno") é celebrada no dia 12 de outubro, quando nós brasileiros nos encontraremos festejando outro membro da realeza, aquela que é Rainha por excelência da terra e do céu, de toda a criação e dos nossos corações, a Senhora Nossa Aparecida...

Da parte de Santo Osvaldo, sobretudo neste dia dedicado a prestar-lhe singular culto, pedimos a intercessão de junto de Deus, especialmente pelos governantes das nações, pelos reis, presidentes, ministros e embaixadores, para que sejam dominados não pela ganância de poder, mas pelo senso de justiça e de verdadeira paz, da qual cremos, somente Cristo é o legítimo príncipe (cf. Is 9,6; At 5,31; Ap 1,5)...

OREMOS: Ó Deus, que aos vossos pastores associastes Santo Osvaldo, animado de ardente caridade e da fé que vence o mundo, dai-nos, por sua intercessão, perseverar na caridade e na fé, para participarmos de sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
🇬🇧👑😇🌿⚔

In Corde Iesu et Mariae, semper!
Fernando Martins.

04 de agosto: Dia de SÃO JOÃO MARIA BATISTA VIANNEY, popularmente conhecido como o Santo Cura D’Ars,

04 de agosto: celebramos hoje a festa litúrgica do santo padroeiro dos párocos e modelo para os presbíteros de todo o mundo, SÃO JOÃO MARIA BATISTA VIANNEY, popularmente conhecido como o Santo Cura D’Ars, um dos santos mais gloriosos da história da nossa Santa Igreja...

Nascido no dia 08 de maio de 1786, em Dardilly (França), Jean-Marie Baptiste Vianney era filho de pais pobres, porém muito fervorosos na prática da fé e dos bons costumes, tanto que o menino foi consagrado à Virgem Santíssima no seu batismo, ocorrido no dia mesmo de seu nascimento. No modesto casebre da família Vianney, se por um lado superabundava a graça de Deus e a caridade dos seus membros, por outro abundava também a pobreza, o que forçou desde a mais tenra infância o pequeno João Maria a trabalhar no campo ajudando no sustento da casa, composta de nove pessoas, os pais – Mateus Vianney e Maria Béluse –, ele e mais 6 irmãos. A situação econômica da família o impedia de estudar, primeiro porque na sua cidade não havia escola, e ficaria muito caro enviá-lo para estudar fora; depois porque, quando uma escola foi aberta, quando ele já era bastante crescido, seu tempo era gasto nos trabalhos do campo. Deste modo, tendo sentido desde criança o desejo de fazer-se padre, seu propósito de ser instruído e de receber as sagradas ordens ia se tornando com o passar do tempo uma quimera, um absurdo, um sonho impossível, grande demais para sua estatura social e sua pobreza. Além do mais, havia também a objeção por parte de seu pai, que o queria trabalhando consigo na lavoura. Instrução mesmo o menino recebeu apenas por dois anos, quando conseguiu conciliar o trabalho e os estudos. Foi nesta ocasião, já na sua adolescência, que ele aprendeu um pouco de francês, idioma que lhe era absolutamente desconhecido, pois a língua comum de sua região era um dialeto local. Ou seja, tudo conspirava contra o santo ideal do pequeno menino... Tudo mesmo!

Além das dificuldades econômicas e familiares, João Maria Vianney ainda viu, durante sua infância e adolescência, toda a França católica ser perseguida e devastada pela sacrílega Revolução Francesa (1789-1799), que saqueou templos e conventos, que proibiu a prática pública da fé e que matou um sem-número de fiéis, religiosos e presbíteros, que criticavam ou se recusavam a prestar juramento à “Constituição Civil do Clero”, que rejeitava a autoridade do papa e transformava os padres em funcionários públicos do Estado. A família Vianney, assim que ficou sabendo que o pároco de Dardilly havia prestado juramento a esta Constituição, deixaram de assistir às Missas na igreja paroquial, e passaram a assistir às Missas clandestinas, celebradas às escondidas pelos padres considerados “revolucionários”, que se mantiveram fiéis à orientação da Igreja de Roma, colocando em risco suas próprias vidas. E apesar da família Vianney saber que ela também corria risco de morte se fosse surpreendida nestes cultos clandestinos, a fidelidade à Igreja sempre foi mais forte... É neste ambiente profundamente católico que João Maria foi se formando na religião e discernindo sua vocação ao ministério sacerdotal...

Quando João completou os 20 anos de idade e a Revolução Francesa já tinha cessado havia um tempo, com o apoio do padre de sua paróquia de origem, ele conseguiu dobrar a resistência do seu pai e ser admitido no seminário de Écully, apesar de sua insuficiente cultura e da sua pouca inteligência, o que seus formadores e professores logo passaram a considerar um empecilho para que ele chegasse a ser ordenado. A despeito de sua piedade e fé fervorosa, a formação acadêmica era uma exigência à qual ele não poderia passar isento. Assim, tendo pedido uma graça diante do túmulo do santo missionário jesuíta João Francisco Régis (1597-1640), Vianney obteve a graça de conseguir a aprovação suficiente para receber as ordens, nada mais, apenas os pontos suficientes, e mesmo assim não sem dificuldades. Ele foi ordenado aos 29 anos de idade, depois de quase dez anos de muita dedicação aos estudos e orações, sem as quais jamais teria alcançado seu objetivo.

Havia, porém, uma observação: João Maria seria enquanto vivesse um padre auxiliar, pois não era considerado apto para estar à frente de uma paróquia; ademais, não poderia ouvir confissões, pois para isto era necessária uma formação específica, a qual ele não possuía, era considerado incapaz de guiar as consciências dos fiéis... Porém, como Deus mesmo é quem está na direção da Santa Igreja, quando o padre que auxiliava faleceu, em 1817, João foi então designado para a pequena aldeia de Ars-sur-Formans, com apenas 230 habitantes, um lugar pobre para o qual nenhum outro padre queria ir; seria ele o “cura” de Ars, como os padres de aldeia eram chamados... Ali, em decorrência dos males deixados pela Revolução Francesa, os poucos habitantes tinham perdido totalmente o interesse pela religião, a capela local estava entregue às traças e a fé havia morrido... Padre João Maria Vianney aceitou a missão naquele lugar por duas razões: primeiro porque era extremamente obediente e não pretendia desacatar as ordens ao seu bispo; segundo porque via na sua designação um sinal divino, como se Deus pretendesse, por sua assistência, ressuscitar a fé daquele povo. Os milagres que Deus operou nos anos seguintes naquele lugar confirmam que o padre estava absolutamente correto em tudo...

Logo que chegou a Ars fez duríssimas penitências em favor da conversão do seu pequeno rebanho, passou a dormir no chão, usando um toco de madeira como travesseiro, jejuava até por três dias seguidos, passava horas de joelhos em adoração na pobre capela que ele também se empenhou em reformar, ornando-a do que havia de melhor nas lojas católicas, pois para ele era o que a casa de Deus merecia. Chegou inclusive a pedir ajuda ao prefeito local, a fim de que este o ajudasse na reforma da fachada do pequeno templo: “Desejaria que a entrada da igreja fosse mais atraente. Isso é absolutamente necessário. Se os palácios dos reis são embelezados pela magnificência das entradas, com maior razão as das igrejas devem ser suntuosas. […] Não quero poupar nada para isso”... Em decorrência das suas noites sob o chão úmido, logo ele foi acometido de uma nevralgia que durou por 15 anos. Porém, nada lhe desanimava em seu desígnio de atrair para Deus aquele povo disperso.

Padre Vianney, que conhecia bem suas limitações intelectuais, preparava por horas seus sermões a cada dia, repetindo para si mesmo por até três vezes as palavras que havia anotado... Aos poucos o povo foi se achegando para ouvir aquele homem magro que praticamente gritava suas homilias no púlpito de Ars... Alguns inclusive o perguntavam por que ele gritava tanto na hora da pregação e falava tão baixo quando ia rezar. A estes, eles respondia: “É que quando prego, falo a surdos, e quando rezo falo a Deus, que não o é”.

Muito enérgico quanto a santificar o domingo como “Dies Domini” (Dia do Senhor), padre Vianney fechou uma por uma as quatro tabernas que havia no lugarejo. Também os jovens começaram a se interessar pela fé e pelos bons costumes, as crianças pela catequese e o povo em geral pelas instruções que o sacerdote “mal formado” dava no início ou no fim de cada celebração. Além disso, por sua influência, abriram-se duas escolas em Ars, uma para meninos, outra para meninas. Antes não havia nenhuma... Aquele que anos antes tinha sido considerado inapto para guiar as consciências, agora que Ars já não era mais a mesma chegava a passar 16 horas por dia no confessionário, tamanha era a multidão de almas desesperadas que buscavam seus conselhos e sua bênção diariamente. Ironia do destino? Não ironia do destino, mas ação de Deus, pois como dizemos popularmente: “por onde Deus passa, nada embaraça”... Ars se tornou o “hospital das almas”, onde não apenas os habitantes locais, mas um número cada vez maior de peregrinos vinha receber a instrução e o perdão divino pelas mãos daquele padre franzino e sem nenhuma beleza aparente.

Entretanto, enquanto Deus estava usando o padre Vianney como instrumento de sua ação misericordiosa pelos habitantes de Ars, também o Diabo investia em tentações de todo tipo contra ele, inclusive animando seus adversários, uma vez que nem todos estavam satisfeitos com aquele padre “atrevido” na cidade, pois ele estava moralizando o lugar de tal modo que o comércio de drogas e de bebidas foi prejudicado, as tabernas foram fechadas por falta de clientela e os bailes para a juventude foram proibidos por ele. Por sua “incoveniência” exemplar, comparada apenas à de Cristo, por diversas vezes enquanto andava pelas ruas João Vianney foi obrigado a ouvir inúmeras calúnias e chacotas contra ele; ademais, da parte dos demônios, chegou a sofrer até mesmo ataques físicos; nas tentações místicas, estes espíritos imundos chamavam-no de “padre comedor de batatas”; o padre, por sua vez, enfrentava tudo com muita naturalidade, haja vista que o próprio Cristo, Deus e Senhor Nosso, para o qual tudo o que existe foi criado, foi tentado do mesmo modo e até pior, resistindo e vencendo a todos os seus inimigos com caridade e sacrifícios. Com a mesma caridade João Vianney respondia aos seus agressores humanos; aos espirituais ele respondia com orações, penitências e jejuns: “Nenhuma coisa faz o demônio temer tanto quanto isso, e por outro lado nada é tão agradável a Deus”.

Por mais de 40 anos o santo que hoje veneramos trabalhou em prol da graça de Deus naquela pequena aldeia francesa, que logo viu sua capela não suportar o incontável número de fiéis que a ela acorria todos os dias... A fé do Cura D’Ars tinha vencido, suas mortificações e jejuns derrotado o Diabo, sua consagração à Virgem e sua confiança no Senhor, o consumido inteiramente... Esgotado fisicamente, porém, plenamente realizado, ele faleceu no dia 04 de agosto de 1859, aos 73 anos de idade. Em 1925, o Santo Padre o papa Pio XI o elevou às honras dos altares, sendo que quatro anos depois, em 1929, o mesmo pontífice o declarou patrono dos párocos.

Sobretudo neste dia em que celebramos sua memória litúrgica, quando também celebramos o "dia do padre", rogamos a intercessão de São João Maria Vianney, por nós, pela moralização de nossas almas e costumes, especialmente nestes nossos tempos confusos, e pelos párocos do mundo inteiro, para que perseverem na contramão do mundo e sejam modelos de fidelidade para o rebanho a eles confiado...

OREMOS: “Deus de poder e misericórdia, que tornastes São João Maria Vianney um pároco admirável por sua solicitude pastoral, dai-nos, por sua intercessão e exemplo, conquistar no amor de Cristo os irmãos e irmãs para vós e alcançar com eles a glória eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”. 🙌🏼💒😇📖☝🏻

In Corde Iesu et Mariae, semper!
Fernando Martins.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

02 de agosto: SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD,

02 de agosto: celebramos a liturgia em honra de SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD, o “apóstolo da Eucaristia”, religioso francês, presbítero e fundador da “Congregação do Santíssimo Sacramento”, cujos membros, homens e mulheres, são conhecidos popularmente como “sacramentinos”.

Nascido em 04 de fevereiro de 1811, em La Mure d’Isère, no sul da França, Pierre-Julien Eymard, filho de comerciantes pobres e muito fervorosos na fé, desde os cinco anos de idade viu sua vocação ao ministério ordenado desabrochar diante da contemplação do Sacramento Eucarístico, que o padre erguia diante de seus olhos diariamente, quando ia à igreja local com sua mãe para receber a bênção. Apesar do apoio da mãe, seu pai sempre desaprovou suas intenções, desde aquele primeiro momento, quando aos 12 anos falou com ele sobre os anseios de seu coração. O pai queria que o filho crescesse e o ajudasse no negócio da família, que consistia basicamente na produção de azeite de nozes. Sem dúvida, também parecia mais conveniente que o menino se casasse um dia e garantisse por meio de muitos filhos a posteridade de sua genealogia, na época reduzida a ele e à esposa, ao pequeno Pierre e a uma meia-irmã... No entanto, à medida em que Pierre crescia, os laços que o ligavam com o presbitério iam se tornando cada vez mais estreitos, e em seu íntimo não havia nada que desejasse com mais ardor... Porém, como se não bastasse para ele a objeção do pai, também não possuía as condições financeiras necessárias para se manter no seminário. Deste modo, jamais abdicando de sua vocação, enquanto ajudava o pai no modesto negócio da família, criava todo tipo de oportunidades para estudar o latim às escondidas...

Às custas de muitas orações e sacrifícios, somente quando contava seus 16 anos que Pierre conseguiu a bênção desejada para que pudesse dar sequência à sua formação, vencendo, não sem dificuldades, os seus estudos. Por aquele tempo, enquanto estava em Grenoble, recebeu a notícia do falecimento de sua mãe, que muito o comoveu. Sensibilizado por esta notícia, correu à capela, onde, aos pés da imagem da Virgem Maria, confiou-se à sua proteção maternal, consagrando a ela o seu ministério. Além da morte da mãe, ainda teve de suportar outra dura provação: adoeceu gravemente, sendo obrigado a voltar para casa, onde ficou à beira da morte. Deus, todavia, não o abandonou à mercê da morte, e enquanto recebia os últimos sacramentos, suplicou a graça de se ver curado, pois desejava ser padre e poder celebrar, ainda que fosse, uma única Missa... E Deus o atendeu prontamente, recuperando-lhe a saúde e lhe permitindo voltar aos estudos no seminário diocesano de Grenoble, onde foi ordenado em 1834, aos 23 anos de idade.

Por cinco anos Pierre pastoreou o rebanho de Chatte e de Monteynard, exercendo um apostolado bastante intenso, promovendo incontáveis conversões por meio de sua pregação e carisma, contagiante e comovente. No entanto, no coração do jovem padre ardia também o desejo de tornar-se religioso consagrado, e em 1839 conseguiu permissão para ingressar no noviciado da “Sociedade de Maria”, dos padres “Maristas”. Ali, tendo proferido solenemente os votos da pobreza, da castidade e da obediência, por vários anos ele ocupou diversos cargos de grande importância para a congregação, inclusive os de superior provincial e de visitador apostólico... Mas ainda havia um “quê”, algo que teimosamente latejava em seu coração, uma inspiração indecifrada que o deixava interiormente inquieto e insatisfeito...

Corria o ano de 1845; enquanto transportava Jesus Eucarístico durante uma procissão, Pierre pediu a Deus a graça de compreender sua santa vontade e de fazê-lo um outro São Paulo, um zeloso apóstolo de seu Reino... Mas a confirmação do que viria a ser aquela inquietude, apenas se revelou alguns anos mais tarde, em 1851, estando ele em oração aos pés da Virgem Santíssima: uma voz interior – a voz de Maria – lhe ditou claramente o que fazer: devia fundar uma nova congregação, cujo carisma consistiria em honrar o Santíssimo Sacramento, promovendo a reparação das ofensas que todos os dias Jesus recebia em seu sacramento de amor, renovando a vida dos fiéis e promovendo a instrução de todos, ministros ordenados e leigos...

Cumprindo todos os trâmites necessários para fazer cumprir a vontade de Deus sob a orientação da Santa Igreja, a “Congregação do Santíssimo Sacramento” nasceu em Paris, a 13 de maio de 1856. Na capela da primeira casa aberta na capital francesa, o Santíssimo Sacramento devia ficar perpetuamente exposto, sendo adorado 24 horas por dia pelos padres e pelos fiéis... Todavia, apesar dos muitos milagres alcançados naquele lugar, que logo começou a ser conhecido como “Capela dos Milagres”, os fiéis começaram a demonstrar cansaço pelas longas horas de adoração, sobretudo nas horas da madrugada. Houve deserções, muitos religiosos abandonaram o instituto, ao passo que, por outro lado, novas vocações surgiam a cada dia, inclusive femininas, dando origem à “Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento”... Mesmo com os sofrimentos e as dificuldades dos primeiros anos de sua obra, Pierre se manteve confiante, pois sabia que se fosse sem cruzes, seus empenhos não seriam agradáveis a Deus... Além de celebrar e de adorar com todo o ardor a Sagrada Eucaristia, também era preciso vivê-la o mais intensamente possível...

O Santo Padre o papa e beato Pio IX, em 1858, quando Pierre-Julien esteve com ele em Roma, abençoou seu apostolado, dizendo estar “convencido de que sua obra vinha de Deus e a Igreja dela necessitava”. Este mesmo papa, em 1863 aprovou canonicamente as regras da nova congregação... Porém, uma vez que o carisma de Pierre parecia não lhe caber no peito, além das diversas casas que começaram a se espalhar pela França sob sua orientação, ele ainda se dispôs a organizar um “Congresso Eucarístico”, quer dizer, a convergência de todos quantos professassem a fé na Santa Eucaristia, o encontro dos fiéis leigos e dos padres e Bispos, dos homens e das mulheres, animados em aprofundar seu conhecimento e seu amor a Jesus no Santíssimo Sacramento, a lhe prestar um culto público e atos de reparação pelos pecados cometidos por infidelidade consciente ou por ignorância...

Deus, contudo, lhe permitiu viver apenas até o dia 1º de agosto de 1868, quando faleceu em sua cidade natal, aos 57 anos de idade, de uma hemorragia vascular cerebral... Estava fisicamente desgastado pelo apostolado, magro e sem poder colocar qualquer alimento na boca... Deus, em sua infinita misericórdia, o havia feito como São Paulo, atendendo-lhe a súplica tantos anos antes a Ele dirigida: derrotado pela finitude do corpo, mas exaltado pelas virtudes de Cristo em sua alma! Pierre podia fazer suas as palavras do grande apóstolo dos gentios: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (2Tm 4,7-8).

Glorificado por Deus, a Igreja não tardaria muito a elevar este novo “apóstolo” às honras de seus altares: Pedro Julião Eymard foi beatificado em julho de 1925, pelo papa Pio XI, e canonizado em dezembro de 1962, pelo papa São João XXIII. Ele é chamado de “apóstolo da Eucaristia”, e sua festa litúrgica, a fim de não coincidir com a de Santo Afonso Maria de Ligório, é celebrada em todo o mundo no dia 02 de agosto... Que do alto do céu São Pedro Julião rogue a Deus por nós, a fim de que nosso coração se inflame cada vez mais de amor pelo Sacramento da Eucaristia, alimento para nossa alma e fonte de todas as graças com as quais o Pai deseja santificar a nós pessoalmente e ao nosso mundo...

OREMOS: Ó Deus, vós que destes a São Pedro Julião Eymard um amor inestimável pelo mistério do Corpo e do Sangue do vosso Filho, concedei-nos, por vossa bondade, colher os mesmos frutos que ele recebeu desse banquete pascal. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. 

In Corde Iesu et Mariae, semper!
Fernando Martins

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - 01 de Agosto

01 de agosto: celebramos hoje a memória litúrgica de SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Bispo e fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, escritor, teólogo e moralista, Doutor da Igreja e patrono dos confessores e moralistas.


Sintetizar o pensamento e a vida de Santo Afonso em poucos parágrafos é um desafio bastante complexo. Afinal de contas, só para se ter uma noção, além de ter escrito “As glórias de Maria”, um clássico da literatura católica mariana, ele também é autor de nada menos que 110 outras obras, com incríveis 21.500 edições em todo o mundo, traduzidas em mais de 72 línguas, o que faz dele um dos autores católicos mais lidos de todos os tempos... Seus escritos abrangem tanto a mariologia quanto a teologia moral, a exegese, a espiritualidade e a pastoral... Muito inteligente e dotado de qualidades artísticas para a música, a pintura, a poesia e a literatura, Santo Afonso deixou também composições famosíssimas, como a “Quanno Nascetti Ninno”, um hino de natal traduzido pelo beato papa Pio IX para o italiano. Além de tudo isso, o santo que hoje veneramos foi também um incansável pregador, um zeloso pai espiritual enquanto bispo de Santa Ágata dos Godos e enquanto fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, cujos membros são popularmente conhecidos como “redentoristas”, atualmente espalhados por todo o mundo e muito admirados por onde passam, inclusive no Brasil, onde são os responsáveis pela reitoria da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no norte do estado de São Paulo...
Nascido em berço nobre e rico a 27 de setembro de 1696, nas proximidades de Nápoles (Itália), o primogênito do casal Giuseppe de Ligório e Anna Cavalieri recebeu no batismo o nome de Afonso Maria, em honra daquela à qual o menino desde sua infância havia se consagrado: a Santíssima Mãe do Redentor. Quando ainda era amamentado por sua mãe, o pequeno Afonso foi tomado nos braços pelo jesuíta e santo Francisco de Jerônimo que, olhando-o fixamente nos olhos, predisse: “Este menino não morrerá antes de haver completado 90 anos. Será Bispo e fará grandes coisas por Jesus Cristo”... Seus pais, portanto, confiantes nas palavras do padre jesuíta, cuidaram para que ele crescesse num ambiente o mais puro possível, oferecendo-lhe uma esmerada formação religiosa e moral. Em curtíssimo tempo ele foi se destacando por sua elevada inteligência, dominando rapidamente as ciências exatas e as naturais, as línguas (o latim, o grego, o francês e o italiano) e as artes (a pintura, a música e a poesia). Tão inteligente era que mal havia completado os 12 anos de idade quando começou a estudar Direito, graduando-se com tão excepcional louvor que, aos 16, foi-lhe permitido fazer os exames de seu doutorado em Direito Civil e Direito Canônico.

Afonso Maria dedicou-se à carreira advocatícia, conquistando, por sua habilidade profissional e honestidade, uma grande clientela. Ele era também exemplar na prática das virtudes e da caridade, inclusive defendendo as causas dos pobres que não tinham acesso à justiça. Homem contemplativo e bastante compromissado com a piedade, mesmo em meio a tantos processos, encontrava tempo para ir à igreja todos os dias, onde ora encontrava-se diante da imagem da Virgem Maria, confiando-se à sua proteção, ora encontrava-se de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, em compenetrada adoração.

Por dez anos ele viveu assim, distribuindo seu tempo entre a avaliação de uma série de processos e o fórum da cidade, entre sua casa e a igreja, entre os estudos e as práticas de piedade e de caridade. Talvez tivesse vivido assim por mais longos anos, não fosse um fato que o fez mudar radicalmente de postura: quando tinha 27 anos de idade, ao defender uma causa importantíssima para sua carreira, viu toda sua esperança na justiça humana desmoronar, todo seu ideal como homem e como advogado, pois perdera o processo por influência de um juiz que se permitiu corromper pela parte adversária. Naquele dia, o jovem Afonso, que jamais havia perdido sequer uma causa, disse para si e para os seus: “Ó mundo enganador, agora eu te conheço! Adeus tribunais!”, e abandonou para sempre a brilhante carreira que se descortinava diante dele...

Muito confuso e decepcionado, por meses Afonso refletiu sobre o que faria de sua vida a partir daquele momento. Deus, de sua parte, cuidou para que o jovem não tivesse dúvidas, pois era chegada a hora em que a profecia sobre sua missão deveria começar a se cumprir: certo dia, 29 de agosto de 1723, por pelo ao menos duas vezes o Senhor fez o rapaz cair em êxtase e lhe disse: “Deixe o mundo e entregue-se a mim”. Contrariando a vontade do pai, que sonhava para ele os mais altos cargos junto ao rei, aos quais, por seu berço poderia reclamar, num ímpeto, e diante da imagem da Senhora das Mercês, Afonso abdicou de seus direitos, das riquezas e palácios de sua família e mesmo de suas próprias vontades, tudo oferecendo como holocausto de amor a Deus e à Virgem. Contrariando também as expectativas daquelas que o desejavam como esposo, decidiu tornar-se padre... Depois de vencer a batalha emocional que seu pai travou contra ele, Afonso foi admitido no seminário diocesano de Nápoles...

A ordenação presbiteral lhe foi administrada em 1726, quando ele fundou por toda a cidade diversos centros de acolhida e de oração, as chamadas “Capelas Noturnas”, que chegaram a atender mais de 10 mil necessitados! Os miseráveis e os carentes da misericórdia de Deus sempre foram a verdadeira paixão de Afonso, desde sua mocidade, quando muito de seu tempo ele dedicou a cuidar dos internos do “Hospital dos Incuráveis”. Sobretudo a partir daquele crucial momento em que abandonou a carreira jurídica, viveu quase que exclusivamente pelos enfermos e pobres, comunicando-lhes a misericórdia do Santíssimo Redentor, oferecendo-lhes um mínimo de conforto espiritual e exortando-os a regressar à fé e aos bons costumes, numa época em que a cidade de Nápoles era conhecida por seus extremos: por suas belíssimas catedrais, por seus suntuosos palácios, pela finura e elegância das mais distintas famílias aristocráticas, bem como pela indigência com que viviam os menos favorecidos, por seus esgotos a céu aberto e pela devassidão que se popularizava em todas as esferas da sociedade, mesmo em meio ao clero...

Apesar do êxito do seu trabalho com os pobres, no coração de padre Afonso, contudo, ardia o desejo de fazer-se missionário. Porém, ele sabia também que para alcançar este ideal não lhe seria necessário cruzar distantes fronteiras, pois nas periferias de Nápoles havia ainda muitos abandonados de qualquer assistência, espiritual ou material, um vastíssimo campo de trabalho... Depois de alguns anos em que cruzou sozinho, de uma ponta a outra, os limites do Reino, buscando a quem socorrer, em novembro de 1732 Afonso fundou a “Congregação do Santíssimo Redentor”; a religiosa Maria Celeste Crostarosa – beatificada em junho de 2016 – lhe havia dito que por meio de uma visão Deus lhe revelara que ele havia sido escolhido para aquela missão. A religiosa, simultaneamente, fundou a “Ordem do Santíssimo Salvador”, cujas irmãs ficaram conhecidas por “redentoristinas”, pois estão ligadas por vínculos muito estreitos à congregação fundada por santo Afonso...

A missão de Afonso Maria, entretanto, não foi nada fácil, pois teve de enfrentar duras provações para levar adiante o propósito da sua nova fundação, que esteve por um fio, uma vez que, em certo momento de sua história, todos os religiosos a abandonaram, restando apenas dois, o fundador e um irmão leigo. Depois, quando a congregação voltou a estabilizar-se, Afonso ainda teve de superar inúmeras incompreensões, mesmo da parte dos seus religiosos, pois ele estava em luta direta contra a corrente herética do jansenismo, que estimulava os fiéis a um rigorismo moral exacerbado e a práticas extremas de penitência, e que inclusive já havia se alastrado dentro da Igreja. O santo fundador chegou a ser expulso da sua própria congregação, enfrentando com paciência e sabedoria as adversidades e superando-as uma a uma...

Em 1747 Afonso de Ligório conseguiu “escapar” da dignidade episcopal, pois havia sido designado como arcebispo de Palermo; sua recusa humilde, naquela ocasião, convenceu o Santo Padre o Papa a escolher outro para o cargo. Porém, alguns anos mais tarde, em 1762, por ordem de Clemente XIII, mesmo contra sua vontade, mas por obediência ao pontífice, ele foi feito bispo de Santa Ágata dos Godos, na província de Benevento (Itália). Não obstante ter alegado idade avançada e saúde frágil, o papa foi inflexível com Afonso, que se viu obrigado a aceitar: “Vontade do papa, vontade de Deus”, dizia ele. O episcopado, porém, não impediu o bispo de viver seu carisma missionário, pois ele se propôs a visitar todas as paróquias de sua diocese, a trabalhar pela instrução de seu rebanho e a promover as “missões redentoristas”. Além disto, promoveu a reforma do clero e do seminário local, além de dedicar parte do tempo a escrever algumas das suas mais famosas obras e homilias.

Por treze anos ele foi bispo, até 1775, quando pediu para se retirar para o meio de seus religiosos, com os quais faleceu aos 91 anos de idade, em 1º de agosto de 1787, enquanto encontrava-se na cidade de Pagani, na província de Salerno. A heroicidade de suas virtudes e sua santidade logo foram reconhecidas pela Igreja, sendo beatificado em 1816, canonizado em 1839 e declarado Doutor da Igreja em 1871.

OREMOS (oração extraída do Missal Romano): 
Ó Deus, que suscitais continuamente em vossa Igreja novos exemplos de virtude, dai-nos seguir de tal modo os passos do bispo Santo Afonso Maria, no zelo pela salvação de todos, que alcancemos com ele a recompensa celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
In Corde Iesu et Mariae, semper!
Fernando Martins

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