quinta-feira, 1 de agosto de 2019

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - 01 de Agosto

01 de agosto: celebramos hoje a memória litúrgica de SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Bispo e fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, escritor, teólogo e moralista, Doutor da Igreja e patrono dos confessores e moralistas.


Sintetizar o pensamento e a vida de Santo Afonso em poucos parágrafos é um desafio bastante complexo. Afinal de contas, só para se ter uma noção, além de ter escrito “As glórias de Maria”, um clássico da literatura católica mariana, ele também é autor de nada menos que 110 outras obras, com incríveis 21.500 edições em todo o mundo, traduzidas em mais de 72 línguas, o que faz dele um dos autores católicos mais lidos de todos os tempos... Seus escritos abrangem tanto a mariologia quanto a teologia moral, a exegese, a espiritualidade e a pastoral... Muito inteligente e dotado de qualidades artísticas para a música, a pintura, a poesia e a literatura, Santo Afonso deixou também composições famosíssimas, como a “Quanno Nascetti Ninno”, um hino de natal traduzido pelo beato papa Pio IX para o italiano. Além de tudo isso, o santo que hoje veneramos foi também um incansável pregador, um zeloso pai espiritual enquanto bispo de Santa Ágata dos Godos e enquanto fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, cujos membros são popularmente conhecidos como “redentoristas”, atualmente espalhados por todo o mundo e muito admirados por onde passam, inclusive no Brasil, onde são os responsáveis pela reitoria da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no norte do estado de São Paulo...
Nascido em berço nobre e rico a 27 de setembro de 1696, nas proximidades de Nápoles (Itália), o primogênito do casal Giuseppe de Ligório e Anna Cavalieri recebeu no batismo o nome de Afonso Maria, em honra daquela à qual o menino desde sua infância havia se consagrado: a Santíssima Mãe do Redentor. Quando ainda era amamentado por sua mãe, o pequeno Afonso foi tomado nos braços pelo jesuíta e santo Francisco de Jerônimo que, olhando-o fixamente nos olhos, predisse: “Este menino não morrerá antes de haver completado 90 anos. Será Bispo e fará grandes coisas por Jesus Cristo”... Seus pais, portanto, confiantes nas palavras do padre jesuíta, cuidaram para que ele crescesse num ambiente o mais puro possível, oferecendo-lhe uma esmerada formação religiosa e moral. Em curtíssimo tempo ele foi se destacando por sua elevada inteligência, dominando rapidamente as ciências exatas e as naturais, as línguas (o latim, o grego, o francês e o italiano) e as artes (a pintura, a música e a poesia). Tão inteligente era que mal havia completado os 12 anos de idade quando começou a estudar Direito, graduando-se com tão excepcional louvor que, aos 16, foi-lhe permitido fazer os exames de seu doutorado em Direito Civil e Direito Canônico.

Afonso Maria dedicou-se à carreira advocatícia, conquistando, por sua habilidade profissional e honestidade, uma grande clientela. Ele era também exemplar na prática das virtudes e da caridade, inclusive defendendo as causas dos pobres que não tinham acesso à justiça. Homem contemplativo e bastante compromissado com a piedade, mesmo em meio a tantos processos, encontrava tempo para ir à igreja todos os dias, onde ora encontrava-se diante da imagem da Virgem Maria, confiando-se à sua proteção, ora encontrava-se de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, em compenetrada adoração.

Por dez anos ele viveu assim, distribuindo seu tempo entre a avaliação de uma série de processos e o fórum da cidade, entre sua casa e a igreja, entre os estudos e as práticas de piedade e de caridade. Talvez tivesse vivido assim por mais longos anos, não fosse um fato que o fez mudar radicalmente de postura: quando tinha 27 anos de idade, ao defender uma causa importantíssima para sua carreira, viu toda sua esperança na justiça humana desmoronar, todo seu ideal como homem e como advogado, pois perdera o processo por influência de um juiz que se permitiu corromper pela parte adversária. Naquele dia, o jovem Afonso, que jamais havia perdido sequer uma causa, disse para si e para os seus: “Ó mundo enganador, agora eu te conheço! Adeus tribunais!”, e abandonou para sempre a brilhante carreira que se descortinava diante dele...

Muito confuso e decepcionado, por meses Afonso refletiu sobre o que faria de sua vida a partir daquele momento. Deus, de sua parte, cuidou para que o jovem não tivesse dúvidas, pois era chegada a hora em que a profecia sobre sua missão deveria começar a se cumprir: certo dia, 29 de agosto de 1723, por pelo ao menos duas vezes o Senhor fez o rapaz cair em êxtase e lhe disse: “Deixe o mundo e entregue-se a mim”. Contrariando a vontade do pai, que sonhava para ele os mais altos cargos junto ao rei, aos quais, por seu berço poderia reclamar, num ímpeto, e diante da imagem da Senhora das Mercês, Afonso abdicou de seus direitos, das riquezas e palácios de sua família e mesmo de suas próprias vontades, tudo oferecendo como holocausto de amor a Deus e à Virgem. Contrariando também as expectativas daquelas que o desejavam como esposo, decidiu tornar-se padre... Depois de vencer a batalha emocional que seu pai travou contra ele, Afonso foi admitido no seminário diocesano de Nápoles...

A ordenação presbiteral lhe foi administrada em 1726, quando ele fundou por toda a cidade diversos centros de acolhida e de oração, as chamadas “Capelas Noturnas”, que chegaram a atender mais de 10 mil necessitados! Os miseráveis e os carentes da misericórdia de Deus sempre foram a verdadeira paixão de Afonso, desde sua mocidade, quando muito de seu tempo ele dedicou a cuidar dos internos do “Hospital dos Incuráveis”. Sobretudo a partir daquele crucial momento em que abandonou a carreira jurídica, viveu quase que exclusivamente pelos enfermos e pobres, comunicando-lhes a misericórdia do Santíssimo Redentor, oferecendo-lhes um mínimo de conforto espiritual e exortando-os a regressar à fé e aos bons costumes, numa época em que a cidade de Nápoles era conhecida por seus extremos: por suas belíssimas catedrais, por seus suntuosos palácios, pela finura e elegância das mais distintas famílias aristocráticas, bem como pela indigência com que viviam os menos favorecidos, por seus esgotos a céu aberto e pela devassidão que se popularizava em todas as esferas da sociedade, mesmo em meio ao clero...

Apesar do êxito do seu trabalho com os pobres, no coração de padre Afonso, contudo, ardia o desejo de fazer-se missionário. Porém, ele sabia também que para alcançar este ideal não lhe seria necessário cruzar distantes fronteiras, pois nas periferias de Nápoles havia ainda muitos abandonados de qualquer assistência, espiritual ou material, um vastíssimo campo de trabalho... Depois de alguns anos em que cruzou sozinho, de uma ponta a outra, os limites do Reino, buscando a quem socorrer, em novembro de 1732 Afonso fundou a “Congregação do Santíssimo Redentor”; a religiosa Maria Celeste Crostarosa – beatificada em junho de 2016 – lhe havia dito que por meio de uma visão Deus lhe revelara que ele havia sido escolhido para aquela missão. A religiosa, simultaneamente, fundou a “Ordem do Santíssimo Salvador”, cujas irmãs ficaram conhecidas por “redentoristinas”, pois estão ligadas por vínculos muito estreitos à congregação fundada por santo Afonso...

A missão de Afonso Maria, entretanto, não foi nada fácil, pois teve de enfrentar duras provações para levar adiante o propósito da sua nova fundação, que esteve por um fio, uma vez que, em certo momento de sua história, todos os religiosos a abandonaram, restando apenas dois, o fundador e um irmão leigo. Depois, quando a congregação voltou a estabilizar-se, Afonso ainda teve de superar inúmeras incompreensões, mesmo da parte dos seus religiosos, pois ele estava em luta direta contra a corrente herética do jansenismo, que estimulava os fiéis a um rigorismo moral exacerbado e a práticas extremas de penitência, e que inclusive já havia se alastrado dentro da Igreja. O santo fundador chegou a ser expulso da sua própria congregação, enfrentando com paciência e sabedoria as adversidades e superando-as uma a uma...

Em 1747 Afonso de Ligório conseguiu “escapar” da dignidade episcopal, pois havia sido designado como arcebispo de Palermo; sua recusa humilde, naquela ocasião, convenceu o Santo Padre o Papa a escolher outro para o cargo. Porém, alguns anos mais tarde, em 1762, por ordem de Clemente XIII, mesmo contra sua vontade, mas por obediência ao pontífice, ele foi feito bispo de Santa Ágata dos Godos, na província de Benevento (Itália). Não obstante ter alegado idade avançada e saúde frágil, o papa foi inflexível com Afonso, que se viu obrigado a aceitar: “Vontade do papa, vontade de Deus”, dizia ele. O episcopado, porém, não impediu o bispo de viver seu carisma missionário, pois ele se propôs a visitar todas as paróquias de sua diocese, a trabalhar pela instrução de seu rebanho e a promover as “missões redentoristas”. Além disto, promoveu a reforma do clero e do seminário local, além de dedicar parte do tempo a escrever algumas das suas mais famosas obras e homilias.

Por treze anos ele foi bispo, até 1775, quando pediu para se retirar para o meio de seus religiosos, com os quais faleceu aos 91 anos de idade, em 1º de agosto de 1787, enquanto encontrava-se na cidade de Pagani, na província de Salerno. A heroicidade de suas virtudes e sua santidade logo foram reconhecidas pela Igreja, sendo beatificado em 1816, canonizado em 1839 e declarado Doutor da Igreja em 1871.

OREMOS (oração extraída do Missal Romano): 
Ó Deus, que suscitais continuamente em vossa Igreja novos exemplos de virtude, dai-nos seguir de tal modo os passos do bispo Santo Afonso Maria, no zelo pela salvação de todos, que alcancemos com ele a recompensa celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
In Corde Iesu et Mariae, semper!
Fernando Martins

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